Dona Canô

Um sobrado de esquina com terraço, rede para descansar e ótima comida nordestina. Poderia estar mesmo lá no Nordeste, mas está em São Paulo: o Dona Canô atrai o público até a região da Pompeia com a casinha charmosa e almoços arretados (e a preços justos) feitos pela chef Gabriela Gallina.

O restaurante é pequenino e aconchegante: são cerca de dez mesas, cinco no térreo e mais cinco no segundo andar. As paredes em tom de verde claro são decoradas por peças de artesanato típico, e há bandeirinhas de São João, feitas de tecido, no teto. O segundo andar tem um terraço envidraçado, com algumas mesas, e uma sala que serve de lojinha de artesanato.

Repare nos cordéis amarrados no corrimão da escada – um charme! Por sinal, o cardápio também lembra um cordel: tem algumas ilustrações e é amarrado com barbante.

A primeira página do menu conta como as andanças de Gabriela Gallina pelo Nordeste a inspiraram a abrir um restaurante de comida nordestina e afetiva – nasceu assim o Dona Canô.

Para começar, o cardápio sugere entradas que podem ser compartilhadas na mesa. É o caso da porção de torresmo ou da pururuca de frango, pele de frango caipira frita, bem crocante, acompanhada de vinagrete da casa.

Na etapa principal, tem sempre o prato do dia, que dá direito a um acompanhamento. Quarta-feira e sábado, por exemplo, é dia de baião de dois, muito bem servido e que vai super bem com a macaxeira, cozida na manteiga de garrafa ou frita.

Outras boas opções são a favada, servida às sextas, e a rabada, que aparece ali às quintas. Elas podem vir com acompanhamentos como o risoto do sertão (arroz rosa preparado no leite, nata fresca e queijo de coalho); feijão de corda, temperado com manteiga de garrafa e misturado com farinha de mandioca e cebola roxa; ou farofa de bolão, farinha de mandioca bem fina temperada na manteiga; entre outros.

Se preferir fugir do prato do dia, dá para escolher uma proteína ou prato vegetariano combinado a um desses acompanhamentos. Tem, por exemplo, carne de sol na chapa, filé de frango caipira, quiabo na chapa e maxixe refogado.

E, como é difícil parar de comer no Dona Canô, vamos à sobremesa! A mais pedida é a chamada de Cartola, uma banana flambada na cachaça com canela e açúcar, acompanhada de uma generosa fatia de queijo de coalho assado com melaço de cana. Já o Lampião e Maria Bonita é a goiabada caseira e cremosa, que chega à mesa ao lado de queijo gorgonzola.

Acho que acabou? Achou errado! Vale muito finalizar com o cafezinho, que é coado no filtro de pano na mesa do cliente.

Comer no Dona Canô é certamente uma experiência que vai deixar todo mundo feliz. A última página do cardápio, aliás, comprova isso, porque tem palavras que podem ser destacadas e levadas para casa.

“Leve daqui um tiquinho do que você precisa hoje e não se avexe; a vida é boa para quem quer viver”, diz a instrução. O que você quer? Amor, saúde, coragem, um cheiro, liberdade…?


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